I Grande Prémio Casal de Motocross Casal

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Aveiro teve ansejo de assistir, no sábado e domingo, às primeiras competições oficiais de uma nova modalidade desportiva, autêntica coqueluxe dentro dos desportos mecânicos: referimo-nos ao moto-cross, em fase de crescente expansão em Portugal, designadamente no centro do país.

Realizou-se o I Grande Prémio Casal de Moto-Cross,  prova a contar para o Campeonato Nacional, constituindo a sexta das dez provas que integram a competição. E, o palco, magnifico em todos os aspectos, foi a primeira pista permanente de moto-cross do país, mandada construir pela Metalurgia Casal junto das instalações fabris de Taboeira, bem perto do centro da cidade. Acorreram alguns milhares de assistentes, e as provas decorreram em ritmo cronométrico, dentro do horários previstos, assistindo-se a emocionantes duelos de pilotos e máquinas. Um verdadeiro e notável êxito, portanto, para os organizadores da prova (Ginásio Clube de Águeda, Iliabum Clube, Federação Portuguesa de Motociclismo e Metalurgia Casal) - sendo ainda de revelar o  eficiente trabalho produzido pelo Director da Prova (Aurélio Gomes Ferreira), pelo Júri (Dr. Ademar Martins Raimundo e Amadeu Agra Marnoto) e demais auxiliares (secretários de prova, cronometristas e juízes de contagem), de que teremos de salientar, no entanto, o elemento de contacto com a imprensa, José Carlos Matias Pereira.

Entre outras individualidades, viam-se, na tribuna de honra, o delegado em Aveiro da Direcção Geral dos Desportos, Eng. Branco Lopes; o Comandante Distrital da P.S.P., Capitão Amilcar Ferreira; o Comandante da G.N.R., Tenente Alberto Matos.

Após os treinos de adaptação, na tarde de sábado, e os treinos cronometrados, com interesse para o estabelecimento das posições de largada, na grelha de saída, realizados na manhã de domingo, os melhores tempos pertenceram aos seguintes concorrentes:

Iniciados - Grupo A - Manuel Carlos Faria, João Vasco Rodrigues e José Costa Tavares

Consagrados - Grupo A - Leonel Almeida Sousa, Abílio Fernando e José Torres Sousa.

Iniciados - Grupos B e C - João Madeira Rodrigues, Manuel Sousa Faria e Basil.

Consagrados - Grupos B e C - João Carlos Herrera, António Tavares e Abílio Fernando.

No domingo à tarde, antes do início do Grande Prémio, foi guardado um minuto de silêncio, em memória do automobilista Fernando Morais do Benfica, falecido há poucos dias, num acidente de viação.

Houve quatro corridas, duas em iniciados e outras tantas em consagrados, com partidas dadas, respectivamente, pelos srs Aurélio Ferreira Gomes (primeira e terceira), Dr. Ademar Martins Raimundo (segunda) e dr Álvaro Café, Director da Metalurgia Casal e membro do Júri de Honra (quarta)

 

 

Apuraram-se as seguintes classificações finais:

Iniciados - Grupo A (até 50cc)

1º - Avelino Silva, da SIS Sachs ( em SIS Sachs),  26m. 24,04s. 2º - João Vasco Rodrigues, individual (em Hércules) 26m. 30,5s. 3º  - José Costa Tavares, do S.C. Castelo da Maia (em SIS-Sachs) 27m, 42s. 4º - Manuel Carlos Faria, individual ( em Casal). 5º - Agnelo Pinto, individual ( em Casal). 7º - Alexandre Ulisses, individual (em EFS - Sachs). 8º - Gustavo Andersen, da Masac Confersil (em Masac Confersil). 9º - José M. Francisco, individual ( em SIS-Sachs V5). 10º - António S. Miranda, individual ( em EFS- Casal). 11º - Armindo Araújo, individual (em Casal). 12º - Mico, individual ( em Casal). 13º - José F- Freitas, do C.A.T- Flandria ( em Flandria)

 

Consagrados - grupo A (até 50cc)

1º - António Tavares, do S.C Castelo da Maia (em SIS-Sachs), 25m. 33,6s

2º - Abílio Fernando, do Ginásio Clube de Águeda (em Masac - Confersil, 25m. 42s. 3º - Leonel Almeida Sousa, do Ginásio Clube de Águeda (em Flandria), 27m.  4º - Manuel de Almeida, do Sporting (em Puch). 5º - José Luís de Sousa, individual, ( em Casal). 6º - Manuel Fernando Costa, do C.A.T-Sachs (em SIS- Sachs). 7º - Carlos Frazão Guimarães, do Benfica (em Casal). 8º - José Torres Sousa, do Ginásio Clube de Águeda (em Macal).

Nesta corrida, em dois terços da prova, comandou o concorrente José Torres Sousa, que veio a concluir na última posição, em consequência de avaria mecânica na décima volta do percurso.

 

Iniciados - Grupo B (51 a 125cc)

1º - Basil, do Ginásio Clube de Águeda (em KTM), 26m,7s.   2º - João Madeira Rodrigues, individual (em KTM), 26m,47s. 3º - Manuel de Sousa Faria, individual (em Casal). 4º - Eugénio de Almeida, do Ginásio Clube de Águeda (em KTM). 5º - Vicente Ramalho Gois, individual ( em Yamaha. 6º - lúcio Bandarra, da Marconi (em KTM)

 

Iniciados - Grupo C (126 a 250cc)

1º - José Gordino, da Marconi (em Bultaco). 26m, 13s. 2º - José Manuel Fonseca, individual (em Yamaha), 27m, 41s.

 

Consagrados - Grupo B (51 a 125cc)

1º - Abílio Fernando, do Ginásio Clube de Águeda (em KTM), 32m,13s. 2º Alfredo Tomás, do Team Corba (em KTM). 3º - Carlos Frazão Guimarães, do Benfica (em Casal)

 

Consagrados - Grupo C (126 a 250cc)

1º João Carlos Herrera, do Ginásio Clube de Águeda (em Montesa), 31m. 44,02s.  2º - António Tavares, individual (em Jawa), 38m, 23s. 3º - Nani, individual (em Jawa). 4º - Carlos Gomes Marques, do Benfica (em Bultaco). 5º- Manuel Almeida , do Sporting (em Puch). 6º - Carlos Alberto Barreiros, do team Corba (em Yamaha). 7º - Álvaro Vilaça, individual (em Bultaco). 8º - Elvino Nascimento, individual (em Bultaco). 9º - Vitor Calado, da Marconi (em Bultaco). 10º - Manuel dos Santos, individual (em Bultaco)

A finalizar, resta dizer que todas as corridas compreendiam 15 voltas ao percurso (na extensão de 15kms.), com excepção das provas dos consagrados, grupos B e C, que incluiram vinte voltas, totalizando, portanto 24kms.

 

O que é o moto-cross

 

 

Verifica-se, de alguns anos para cá, o renascer dos desportos motorizados de duas rodas. Ele é o resultante da evasão da juventude; é a fuga às multidões sempre crescentes que se aglomeram nas salas, nos passeios e nas ruas; é a ânsia da liberdade, que só o ar livre pode proporcionar.

Daí em todo o mundo se tenha desenvolvido, a par das provas de motociclismo de velocidade, um outro ramo correspondente ao motociclismo "fuori strada",  com múltiplas variantes, designadamente o "trial", o "gelandesport", etc

No topo, e muitas vezes como designação genérica deste tipo de desporto, aparece o moto-cross.

O que é o moto-cross?

Em resumo é uma corrida de motocicletas disputada numa pista de obstáculos, apenas balizada, deixando-se o piso irregular. O trajecto é escolhido em função dos obstáculos naturais que oferece: subidas, descidas, travessia de riachos ou lama, saltos, curvas muito apertadas, etc.

Fácil se torna imaginar os efeitos espectaculares que se podem tirar deste desporto, por mais do que a velocidade das máquinas, o que conta é a sua robustez e capacidade de resistência e a perícia do piloto. E os resultados, de forma geral são sempre imprevisíveis, já que basta um corredor sair mal de um salto ou atolar-se na lama, para que muitos outros passem à sua frente.

E de tal forma o moto-cross é emotivo, que em muitos países europeus esta modalidade desportiva se tornou a coqueluche que arrasta multidões, em número superior aqueles que se registam nos grandes desportos tidos por populares.

É recente, entre nós, a introdução do moto-cross. Somente se disputaram três Campeonatos Nacionais. Mas o entusiasmo entre a juventude, foi de tal ordem que se conseguiram já reunir mais de 30000 espectadores em algumas provas do Campeonato.

A entusiástica explosão pela popular modalidade, foi ao ponto de apanhar toda a gente desprevenida e fazer oscilar as estruturas federativas que apressadamente, se estão a organizar com o objectivo de fazer canalizar as boas - vontades, numa tentativa de pôr de pé uma organização, com meios para corresponder ao entusiasmo do público, e dos praticantes.

Até hoje o moto-cross tem-se praticado em Portugal em terrenos eventualmente cedidos pelos seus proprietários, e nos quais se improvisavam pistas. Consoante o terreno era bom ou mau: o proprietário cedia ou não cedia, a competição tinha mais ou menos interesse. Era impossível continuar assim! Urgia dotar a modalidade de pistas com condições para a disputa de provas.

Naturalmente se compreende que havendo em Portugal uma fábrica de motores de motociclos e várias fábricas de quadros elas se se encontrassem á frente do movimento em favor do moto-cross. Isto portque, para além da propaganda do desporto de duas rodas e dos inerentes benefícios comerciais, as fábricas têm no moto-cross o melhor campo de experiências para os seus motores e máquinas, onde elas são submetidas a esforços inconcebiveis e onde se poderá completamente ensaiar qualquer nova peça ou novo sistema.

Podemos afirmar que muitas invenções introduzidas em veículos nacionais já tinham sido ensaiadas com bons resultados em provas de moto-cross.

Isto levou a Metalurgia Cssal a construir, nos terrenos anexos às suas instalações fabris, perto de Aveiro, a primeira pista permanente de moto-cross portuguesa. O local é verdadeiramente ideal para o efeito, pois aproveitou um vale natural profundo, onde corre um ribeiro durante todo o ano.

Para o público, em grande número de locais estratégicamente situados, é oferecida oportunidade de observar todo o percurso sem o menor perigo. Para os concorrentes trata-se de um circuito muito duro, embora com toda a segurança, e onde podem pôr à prova a sua capacidade.

O perimetro da pista é de 1200 metros, com uma subida e uma descida muito acentuadas, três rampas para salto, uma zona de lama natural com cerca de 100 metros, várias curvas, duas das quais de 180 graus e, como obstáculo inédito, um ribeiro de cerca de três metros de largura que é necessário transpor de salto.